06/04/2011 07h30 - Atualizado em 06/04/2011 07h30
Brasil Afora: Nacional, de Muriaé, sonha inaugurar o ‘Alencarzão’
Desejo dos dirigentes é receber verba federal para prestar homenagem
ao torcedor mais ilustre do clube mineiro, o ex-vice-presidente José Alencar
Não houve uma única vez em que, perguntado sobre qual seria o time de futebol do coração, o ex-vice-presidente não mencionasse com orgulho o sentimento de amor ao Nacional, de Muriaé. O clube, praticamente esquecido no cenário esportivo do estado, tem apenas um título mineiro da segunda divisão, conquistado em 1969. Porém, nem por isso, José Alencar deixava de expressar toda a admiração, carinho e amor pelas cores do Nacional.
E agora esse amor deverá ser a mola propulsora capaz de realizar o sonho da modesta equipe mineira de voltar à elite do futebol estadual. Em dezembro de 2009, já como vice-presidente da República, José Alencar encaminhou uma carta ao ministro dos esportes, Orlando Silva, solicitando ajuda financeira para o término da construção do novo estádio do Nacional e também do centro de treinamentos para profissionais e categorias de base.
‘Senhor Ministro,
com cordial visita, repasso à alta consideração de Vossa Excelência o pleito anexo do eminente Prefeito José Braz, de Muriaé (MG), minha cidade natal.
O Nacional Atlético Clube tem longa tradição no cenário esportivo de Minas Gerais, sendo motivo de orgulho para os moradores da cidade e da região. A atual diretoria, liderada pelo Doutor Rui Vale de Matos, se propõe a recuperar a imagem do Nacional, transformando-o em uma grande agremiação, conforme especificado no projeto anexo. Penso que o atendimento a esse anseio, além do aspecto esportivo, terá valiosa repercussão no campo social, ao contemplar os jovens da cidade e da região com a oportunidade de encontrarem novos caminhos de realização através do esporte’.
(Foto: Divulgação NAC)
- Depois de ações na justiça, conseguimos vender a metade do nosso antigo campo. Muitos queriam vender, mas alguns não, e isso trouxe alguns problemas. Hoje estamos ampliando em muita coisa a estrutura que tínhamos. Se conseguirmos essa verba, vou homenageá-lo, e o estádio se chamará José Alencar – declarou Dornele Francisco Almeida, vice-presidente e diretor de futebol.
O Nacional não disputa a primeira divisão estadual desde 1981. Atualmente, o clube não possui jogadores no quadro de profissionais. As atividades foram provisoriamente encerradas quando a diretoria, presidida por Ruy Valle Mattos, decidiu vender metade do terreno, onde ficava o único campo do clube, para uma rede de supermercados. A equipe não tem lugar para treinar desde 2007, mas o valor da venda foi investido na compra de um terreno de 60.000m² para a construção do eldorado dos dirigentes do clube.
Hino do Nacional
José Alencar se preocupava com o time do coração. Em uma visita a cidade, em 2005, o ex-vice-presidente foi ao encontro de alguns membros do clube e ganhou uma camisa da equipe. Na ocasião, Alencar surpreendeu a todos ao cantar todos os versos do hino do Nacional.
- Vou confessar que nem eu sabia da existência desse hino, até ele cantar. Quando ele cantou para todos que estavam no encontro, ficamos muito surpresos, pois não tínhamos a ideia de como era. Ele mostrou ser Nacional de coração – declarou Jacy de Oliveira Filho, diretor de relações públicas e historiador do clube.
José Alencar jogou pelos juvenis até os 16 anos, quando conseguiu emprego de balconista de uma loja de tecidos. Depois, mudou-se para Caratinga, quando foi obrigado a abandonar o futebol. Mesmo longe dos gramados, quando era perguntado sobre qualquer assunto relacionado ao futebol, lá estava José Alencar bradando a todos os pulmões o verso do hino: ‘Nacional eu sou do coração, Nacional eu sou até debaixo d’água’.
- Parece que foi ele quem fez o hino, não é? Não duvidaria se ele dissesse que tinha feito. Combinaria muito – brincou Jacy, emocionado.
Tino comercial
(Foto: Fernando Martins / Globoesporte.com)
E a diretoria do Nacional parece que seguiu o exemplo do grande torcedor. Os dirigentes pretendem ampliar os horizontes do clube e voltar a serem conhecidos, dessa vez, pelo futebol e não só por ser o clube do coração de um ex-político ilustre.
Dornele é um dirigente que mostra ter tino para grandes negócios. Foi dele a ideia de vender apenas parte do terreno do antigo campo, no centro de Muriaé, ponto mais valorizado da cidade, e comprar uma área maior, mais barata e um pouco afastada do centro comercial.
- Aquela outra metade do campo que ainda pertence ao clube será a responsável por manter o estádio e o centro de treinamentos. Lá faremos um complexo de espaços comerciais que darão um rendimento de R$ 70 mil mensais.
O dirigente estima que o estádio ficará pronto ao custo de aproximadamente R$ 6 milhões. Porém, se depender dele, o valor pode cair ainda mais.
- Iríamos comprar uma caixa d’água para o CT. Abrimos licitação. O valor era de R$ 52 mil reais. Como tenho uma representação de uma marca que também faz o produto, liguei para a fábrica e pedi a caixa d’água de brinde. Eles me disseram que poderiam fazer por R$ 30 mil. Disse que só tinha R$ 18 mil e, então, fizeram a esse preço para mim. Todo mundo paga R$ 18 no saco de cimento. Mas fui na fábrica e consegui que eles me fizessem a R$ 14.
Dornele até admite uma semelhança no tino comercial com José Alencar.
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