terça-feira, 5 de abril de 2011

GUERRA CIVIL DEIXA POPULAÇÃO EM PANICO NA COSTA DO MARFIM

05/04/2011 10h37 - Atualizado em 05/04/2011 11h44

Presidente da Costa do Marfim diz estar negociando sua renúncia

Laurent Gbagbo promete reconhecer Alassane Ouattara presidente.
Forças da ONU atacaram casa de Gbagbo nesta terça em Abidjan.

Do G1, com agências internacionais
Um porta-voz do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, disse nesta terça-feira (5) que ele está negociando as condições para deixar o poder no país em crise.
O acordo, segundo o porta-voz Ahoua Don Mello, incluiria aceitar uma proposta da União Africana para que o oposicionista presidente eleito Alassane Ouattara assuma o poder e também condições de segurança para si e para seus familiares.
O chanceler da França, Alain Juppé, disse ao Parlamento francês que as negociações estão "próximas" a convencer o presidente a renunciar.
Mais cedo, a casa do governante em Abidjan, principal cidade do país, foi atingida pelo menos 50 vezes por um helicóptero Mi-24 das Nações Unidas. Segundo o ministro das Relações Exteriores Alcide Djedje, que abandonou o regime, o presidente Gbagbo estaria na casa com a família e membros do governo e do gabinete.
mapa da costa do marfim (Foto: Arte/G1)
A atual onda de violência que tomou conta do país começou em novembro do ano passado, depois das eleições presidenciais. A ONU confirmou a vitória do oposicionista Ouattara no pleito, mas Gbagbo recusou-se a aceitar a derrota, reavivando uma guerra civil que a eleição pretendia encerrar.
Forças internacionais lançaram ataques ao país na segunda-feira, após as tentativas de persuadir Gbagbo a sair pacificamente terem esgotado. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU autorizou-os a tirar o de arsenal Gbagbo, que estava sendo usado para atacar civis.
Combates assolaram novamente na terça-feira a base militar de Akban, que havia sido alvejada por forças francesas e da ONU.
O porta-voz oficial do governo, Don Ahou Mello, também confirmou que um grande campo militar havia sido destruído durante um ataque de segunda-feira. Mello disse que Gbagbo "ainda está em Abidjan", mas se recusou a especular sobre se ele estava pensando em renunciar.
Explosões são vistas em campo militar de tropas leais a Laurent Gbagbo, em ataque da França e ONU nesta segunda, em Abidjan (Foto: Luc Gnago/Reuters)Explosões são vistas em campo militar de tropas leais a Laurent Gbagbo, em ataque da França e ONU nesta segunda, em Abidjan (Foto: Luc Gnago/Reuters)
'Situação dramática'
A situação humanitária em Abidjan, capital econômica da Costa do Marfim, se tornou "absolutamente dramática" para os civis presos em meio aos combates, afirmou a ONU.
"A maioria dos hospitais não funcionam, falta oxigênio... Quanto às ambulâncias, também não funcionam e quando funcionam são alvos de tiros", declarou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.
"Chegar até a população civil é impossível pelos problemas de segurança", completou Elisabeth, antes de afirmar que corpos estão nas ruas há vários dias.

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